A instrução dos principiantes – Hugo de São Vítor

A instrução dos principiantes - Hugo de São VítorHugo de São Vítor foi certamente um dos homens mais célebres de seu tempo por suas virtudes e por sua ciência, o mais renomado de todos os vitorinos. Nascido na Saxônia em 1096, foi professor e diretor da escola do Mosteiro de São Vítor, além de prior deste mesmo mosteiro e bispo. Baseada na tradição cristã e nas Escrituras, toda a sua pedagogia visava formar os estudantes para alcançarem a contemplação, o último grau da Sabedoria — com a qual “tem-se um antegosto nesta vida do que será a recompensa futura” —, uma formação integral que proporcionasse a união com Deus.

Na Instrução dos principiantes, Hugo apresenta o treinamento em que eram conduzidos, sob a guia do mestre de noviços, os recém-chegados à escola, cujo objetivo era aprender “o bom termo e a medida adequada em todas as palavras e ações”, isto é, a disciplina: como se comportar e governar o corpo — no caminhar, nos gestos, na fala, no tratamento dos outros e nos modos à mesa. Esse aprendizado de autodomínio corporal era anterior ao estudo das letras descrito no Didascalicon, pois, segundo o mestre, “os movimentos desordenados do corpo refletem a corrupção e a dissolução da mente”, e, para ingressar no caminho da sabedoria, é preciso antes imprimir na mente, pela disciplina do corpo, a forma da virtude.

Sobre o autor

Hugo de São Vitor (1096-1141) nasceu na Saxônia, território que hoje é a Alemanha, mas à época fazia parte do então Sacro Império Romano Germânico. Quando jovem, impelido pela vocação sacerdotal e aconselhado pelo tio, que era bispo, mudou-se para Paris e ingressou no Mosteiro de São Vítor, fundado por Guilherme de Champeaux, ex-professor de Teologia da escola anexa à Catedral de Notre Dame. Posteriormente, foi professor no mesmo mosteiro, assumiu sua direção e organizou a estrutura de sua escola de Teologia. Homem de talento, brilhante inteligência, notáveis santidade e vocação para a docência, instituiu uma prática pedagógica que conduzia à contemplação através da boa leitura, do diligente estudo e da meditação, e cuja nalidade era a santicação e a perfeita preparação para o magistério.

Sua obra é extensa e uma das mais importantes de toda a história da educação, e compõe-se de tratados como o Didascalicon, sobre a leitura (provavelmente seu primeiro escrito), o Tratado dos Três Dias, muitos opúsculos – dentre os quais o conhecido Opúsculo sobre o modo de aprender e de meditar –, comentários a livros bíblicos e a primeira Suma Teológica de toda a tradição cristã, Os Mistérios da Fé Cristã (ou, De Sacramentis Fidei Christianæ).

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