Regras da Vida Cotidiana – Louis Lavelle

Regras da Vida Cotidiana - Louis LavelleA atualidade e a originalidade da obra de Louis Lavelle encerram-se em duas palavras: espiri­tua­lidade filosófica. Não se trata de uma espiritualidade religiosa, como a que caracteriza os grandes santos. Poder-se-ia dizer que o único predecessor de Lavelle é Nicolas Malebranche (1638-1715), contemporâneo de Luís XIV; e Lavelle reconheceu sua dívida para com esse filósofo. É preciso destacar ainda que Malebranche visa expressamente reconciliar a fé cristã e a démarche racional, enquanto Lavelle não é um filósofo explicitamente religioso, embora o cristianismo esteja muito amiúde presente como pano de fundo de seu pensamento. Mas, precisamente, a atualidade de Lavelle decorre de ele propor ao homem de hoje em busca de alimentos para a alma uma espiritua­lidade que não supõe nenhuma fé religiosa, nenhum envolvimento particular em determinada confissão. Essa espiritualidade filosófica, que já era a de Platão, foi renovada por Lavelle, e as Regras da Vida Cotidiana, que ele havia escrito para seu próprio uso como um “livro de razão”, são disso um maravilhoso testemunho.

Sobre o autor

Chamado por A.-D. Sertillanges “o Platão dos nossos dias”, Louis Lavelle foi professor do Collège de France e integrante da Academia de Ciências Morais e Políticas. Nascido na mesma região em que Michel de Montaigne e Maine de Biran, foi permanentemente influenciado por eles. Escreveu o que se tornaria a sua tese de doutorado em algumas cadernetas que comprou na cantina do campo de Giessen, onde passou os últimos anos da Primeira Guerra Mundial. Fundou, com seu amigo René Le Senne, a chamada filosofia do espírito. Lavelle influenciou decisivamente pensadores como Pierre Hadot, Alfonso López Quintás, Vicente Ferreira da Silva, Alfredo Bosi, Tarcísio Padilha, Étienne Borne e Paul Ricoeur.

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