A desumanização da arte & outros escritos – José Ortega y Gasset

A desumanização da arte & outros escritos - José Ortega y GassetDurante as primeiras décadas do século XX, o mundo viu surgirem diversas correntes artísticas que, por mais variadas que fossem suas técnicas, tinham em comum o intuito consciente de revolucionar a maneira como o homem se relaciona com a arte. Foram as chamadas vanguardas, dentre as quais nos são mais conhecidas o cubismo, o dadaísmo, o surrealismo e o futurismo.

Ortega y Gasset acompanhou o surgimento e o desenrolar dessas novas concepções e práticas artísticas, bem como a reação que elas causavam nas pessoas, em geral céticas a essas inovações por demais radicais. Em 1925, publicou A desumanização da arte, onde deu a conhecer suas conclusões a respeito da “nova arte”, que para ele era não só impopular, porque rechaçada pelo público, mas mesmo antipopular, porque feita para artistas, mais do que para o público comum.

Além do texto original de A desumanização da arte, o leitor também encontrará nesta edição outros dois artigos de Ortega a respeito do mesmo tema — ideias sobre o romance e A arte no presente e no passado —, e seu ensaio mais longo A ideia do teatro, uma abordagem fenomenológica do acontecimento teatral.

Sobre o autor

José Ortega y Gasset (Madrid, 9 de maio de 1883 – Madrid, 18 de outubro de 1955) foi um ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid. Ortega é amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século XX.

Ortega foi um dos primeiros autores a tratar do problema da historicidade fora dos padrões do evolucionismo, do marxismo ou do positivismo. Também foi um dos primeiros a valorizar a importância dos conceitos em matérias de história e a estender à filosofia as conclusões de Einstein, além de afirmar a necessidade de uma historicidade como modo de suplantar o esgotamento da metafísica e do idealismo. Ortega atribui à história uma nova categoria do conhecimento, aos moldes de Martin Heidegger, seu contemporâneo.

De acordo com Ortega, a realidade está em nossa vivência histórica. Autor da frase, ”eu sou eu e minha circunstância”, para ele viver não se trata de termos uma consciência intencional, aos moldes fenomenológico, mas sim a maneira como lidamos com a circunstância da qual não nos separamos: “A vida não é recepção do que se passa fora, antes pelo contrário, consiste em pura atuação, viver é interior, portanto, um processo de dentro para fora, em que invadimos o contorno com atos, obras, costumes, maneiras, produções segundo estilo originário que está previsto em nossa sensibilidade”.

Seu pensamento impactou diversas áreas do saber. Em sua memória, o jornal espanhol El País concede o Prêmio Ortega y Gasset anualmente àqueles que se destacam no campo do jornalismo e da comunicação.

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