A Educação Sentimental – Julián Marías

A Educação Sentimental - Julián Marías “Creio que se a palavra ‘educação’ tem algum sentido, é exatamente este: a demonstração da realidade com suas virtualidades, a participação nela, a pluralidade de perspectivas, que inverte a tendência habitual à simplificação e ao esquematismo, ou ao trato irrefletido e utilitário com as coisas. Estou ficando cada vez mais convencido de que a educação sentimental é um dos núcleos ao redor dos quais a vida se organiza, precisamente em suas camadas mais profundas.

Poder-se-ia pensar que essa insistência na espontaneidade, essa preferência por ela, exclui a educação ou a relega a um lugar secundário. Acredito, ao contrário, que ela a exige: é preciso educar a espontaneidade, para que não seja pobre, pouco livre e limitada pela herança não só biológica, mas sobretudo social. Compreendo a educação como o cultivo e aperfeiçoamento da espontaneidade. É evidente o enorme alcance que a ficção tem nesse contexto: poesia, teatro, narrativas, cinema.

Neste livro seguimos os passos da educação sentimental — a forma mais íntima e profunda de civilização — em grande parte da história. Isso era necessário para que pudéssemos tomar posse de nós mesmos, herdeiros de tudo; para não sermos ‘antepassados’ de nossa própria realidade esquecida.” — Julián Marías

Sobre o autor

Julián Marías Aguilera (Valladolid, 17 de junho de 1914 — Madrid, 15 de dezembro de 2005) foi um filósofo espanhol, considerado o principal discípulo de José Ortega y Gasset. Foi diretor do “Semanário de Estudos de Humanidades”, membro da Real Academia Espanhola e da Real Academia de Belas-Artes e doutor honoris causa em Teologia pela Universidade Pontifícia de Salamanca. Marías fez o curso de filosofia na Universidade de Madrid (1931-1936), onde encontrou o que ele próprio denominou de vida intelectual, tendo frequentado os cursos de José Ortega y Gasset, Xavier Zubiri, José Gaos, Julián Besteiro, Manuel García Morente etc. A primeira edição do seu livro História da Filosofia, apareceu em 1941. O livro alcançou grande difusão, inclusive no Brasil onde foi recentemente reeditado. Em 1948, com a volta de Ortega a Espanha, fundam o Instituto de Humanidades. Visto como persona non grata pelas universidades espanholas, ministrou diversos cursos em universidades americanas e europeias. Em 1969 publicou o livro Antropologia Metafisica, que marcou um novo nível no desenvolvimento de sua filosofia. A obra de Julián Marías é extensa e tem como temas principais a filosofia vista a partir de uma perspectiva pessoal e biográfica, a pessoa humana, a história, sociologia e a literatura.

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