Sobre os Prazeres – Comentário ao Décimo Livro da Ética de Aristóteles – Tomás de Aquino

Sobre os Prazeres - Comentário ao Décimo Livro da Ética de Aristóteles - Tomás de AquinoSanto Tomás de Aquino foi um dos grandes libertadores do intelecto humano, já nos disse G. K. Chesterton. E basta olharmos à inumerável quantidade de assuntos tratados pelo Doutor Angélico, desde temas filosóficos até às mais complexas contemplações teológicas, e teremos diante de nós um colossal monumento em honra da inteligência humana.

Esta pequena edição traz os seus comentários ao Décimo Livro da Ética de Aristóteles, examinando as causas e os efeitos, a bondade e a malícia dos prazeres.

“O prazer é entendido por alguns como a finalidade dos atos da virtude, mas a felicidade, conforme a opinião de todos, parece ser o real fim dela. Então, ele determina com proeminência a definição de prazer, o seu propósito e, por fim, a sua intenção.

Por Aristóteles ter estudado as virtudes na Ética, transitou brevemente acerca do prazer. Ele tratara do estudo no Sétimo Livro, tomando-o como matéria da continência, utilizando-se de uma potentíssima distinção dos prazeres sensíveis e corporais.

Contudo, a finalidade neste livro é diversa. Aqui, pretendo inicialmente determinar a noção de prazer como meio para atingir a felicidade, com sincera preeminência no prazer inteligível e espiritual. (…) Os homens frequentemente escolhem os prazeres, ainda que fundados em maldades, e afastam-se do bem, porque este os entristeceria. Entretanto, isso é um erro, porque é certo que o homem, ansioso por ser virtuoso e feliz, deve escolher o prazer a fuga da tristeza referente aos males, evitando uma vida de atos que incorra nas operações más e que careça das virtuosas.”

Sobre o autor

Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi seqüestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento. No ano seguinte, fiel à sua vocação religiosa, viajou a Paris, onde se tornou discípulo de Alberto Magno, acompanhando-o a Colônia. Em 1252, voltou a Paris, onde se formou em teologia e lecionou durante três anos. Depois de voltar à Itália, foi nomeado professor na cúria pontifical de Roma. Ensina, durante anos, em várias cidades italianas. Uma década depois, retorna a Paris, onde leciona até 1273. A seguir, parte para Nápoles, onde reestrutura o ensino superior. Em 1274, convocado pelo papa Gregório 10º, viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece, contudo, durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro cisterciense de Fossanova, aos 49 anos de idade. Chamado de Doutor Angélico e de Príncipe da Escolástica, Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja Católica em 1567.

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