Sobre a razão histórica – José Ortega y Gasset

Durante seu exílio, Ortega y Gasset ministrou dois cursos sobre o conceito de razão histórica: um em Buenos Aires, em 1940, e outro em Lisboa, em 1944. Este volume contém a transcrição editada desses dois cursos, que encerram as exposições mais claras do filósofo espanhol não só sobre a razão histórica, mas também sobre suas concepções da vida humana e o modo como o homem pode conhecer a realidade.

O homem é um “desconhecido”, e não é nos laboratórios que será encontrado. É chegada a hora das ciências históricas! A razão pura (que também, em última instância, com sua pretensão de reduzi-lo à pura lógica, acabava apenas por se basear na narração de um fato: o choque dos átomos) tem de ser substituída por uma razão narrativa. O homem é hoje o que é porque ontem foi outra coisa. Ah! Então para entender o que é hoje basta que nos contem o que ele foi ontem. Basta isso e pronto, aparece, transparece o que hoje estamos fazendo. Essa razão narrativa é a “razão histórica”.

Sobre o autor

José Ortega y Gasset (Madrid, 9 de maio de 1883 – Madrid, 18 de outubro de 1955) foi um ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid. Ortega é amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século XX.

Ortega foi um dos primeiros autores a tratar do problema da historicidade fora dos padrões do evolucionismo, do marxismo ou do positivismo. Também foi um dos primeiros a valorizar a importância dos conceitos em matérias de história e a estender à filosofia as conclusões de Einstein, além de afirmar a necessidade de uma historicidade como modo de suplantar o esgotamento da metafísica e do idealismo. Ortega atribui à história uma nova categoria do conhecimento, aos moldes de Martin Heidegger, seu contemporâneo.

De acordo com Ortega, a realidade está em nossa vivência histórica. Autor da frase, ”eu sou eu e minha circunstância”, para ele viver não se trata de termos uma consciência intencional, aos moldes fenomenológico, mas sim a maneira como lidamos com a circunstância da qual não nos separamos: “A vida não é recepção do que se passa fora, antes pelo contrário, consiste em pura atuação, viver é interior, portanto, um processo de dentro para fora, em que invadimos o contorno com atos, obras, costumes, maneiras, produções segundo estilo originário que está previsto em nossa sensibilidade”.

Seu pensamento impactou diversas áreas do saber. Em sua memória, o jornal espanhol El País concede o Prêmio Ortega y Gasset anualmente àqueles que se destacam no campo do jornalismo e da comunicação.

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