O Bem – Questões Disputadas Sobre a Verdade – Tomás de Aquino

O Bem - Questões Disputadas Sobre a Verdade - Tomás de AquinoTomás de Aquino foi um dos grandes libertadores do intelecto humano, já nos disse G. K. Chesterton. E basta olharmos a inumerável quantidade de assuntos tratados pelo Doutor Angélico, desde tomas filosóficos até às mais complexas contemplações teológicas e teremos diante de nós um colossal monumento em honra da inteligência humana.

Apresentamos a tradução inédita, do latim para o português, da questão 21 da Quaestiones disputatae De Veritate, O bem, composta por seis artigos. Esta obra é autêntica e data dos três anos do primeiro período de ensino magistral de Tomas em Paris, 1256-1259, onde ele investiga o bem enquanto transcendental do ser, expõe certa relação com os outros transcendentais, desenvolve a noção de ser participativo e dialoga, por fim, com o livro de Agostinho sobre a natureza do bem.

O Aquinate também dialoga com a doutrina da participação em platão, mas mantém as essências nas próprias coisas, como em Aristóteles, e em dependência da vontade e da criação de Deus, como no cristianismo. Ele procura refutar certa visão panteísta, quando diz que as coisas não são boas por si mesmas, mas possuem uma bondade criada, distinta da bondade primeira, como dependência participativa. O bem criado não se confunde com a Bondade divina, por isso possui um modo, em função do seu limite, como particular.

Sobre o autor

Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi seqüestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento. No ano seguinte, fiel à sua vocação religiosa, viajou a Paris, onde se tornou discípulo de Alberto Magno, acompanhando-o a Colônia. Em 1252, voltou a Paris, onde se formou em teologia e lecionou durante três anos. Depois de voltar à Itália, foi nomeado professor na cúria pontifical de Roma. Ensina, durante anos, em várias cidades italianas. Uma década depois, retorna a Paris, onde leciona até 1273. A seguir, parte para Nápoles, onde reestrutura o ensino superior. Em 1274, convocado pelo papa Gregório 10º, viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece, contudo, durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro cisterciense de Fossanova, aos 49 anos de idade. Chamado de Doutor Angélico e de Príncipe da Escolástica, Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja Católica em 1567.

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