Meditações do Quixote – José Ortega y Gasset

Meditações do Quixote - José Ortega y GassetEste volume anuncia, como diz o autor, “ensaios de vária lição e não muitas conseqüências”. Versam sobre diversos temas e são para o autor modos diversos de exercitar uma mesma atividade, de dar vazão a um mesmo afeto: “O afeto que me move é o mais vivo que encontro em meu coração. Ressuscitando o lindo nome que usou Espinosa, eu o chamaria amor intellectualis. Trata-se, pois, leitor, de uns ensaios de amor intelectual”.

Neles o autor adota o seguinte procedimento: dado um fato — um homem, um livro, um quadro, uma paisagem, um erro, uma dor —, trata de levá-lo pelo caminho mais curto à plenitude do seu significado.

Nesta que é talvez uma de suas obras mais famosas — e a primeira que publicou —, Ortega y Gasset propõe aos leitores mais jovens que expulsem de seus ânimos todo hábito de odiosidade e aspirem fortemente à volta do amor em administrar o universo. Para fazê-lo, não faz senão apresentar-lhes sinceramente o espetáculo de um homem agitado pelo vivo afã de compreender.

Sobre o autor

José Ortega y Gasset (Madrid, 9 de maio de 1883 – Madrid, 18 de outubro de 1955) foi um ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid. Ortega é amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século XX.

Ortega foi um dos primeiros autores a tratar do problema da historicidade fora dos padrões do evolucionismo, do marxismo ou do positivismo. Também foi um dos primeiros a valorizar a importância dos conceitos em matérias de história e a estender à filosofia as conclusões de Einstein, além de afirmar a necessidade de uma historicidade como modo de suplantar o esgotamento da metafísica e do idealismo. Ortega atribui à história uma nova categoria do conhecimento, aos moldes de Martin Heidegger, seu contemporâneo.

De acordo com Ortega, a realidade está em nossa vivência histórica. Autor da frase, ”eu sou eu e minha circunstância”, para ele viver não se trata de termos uma consciência intencional, aos moldes fenomenológico, mas sim a maneira como lidamos com a circunstância da qual não nos separamos: “A vida não é recepção do que se passa fora, antes pelo contrário, consiste em pura atuação, viver é interior, portanto, um processo de dentro para fora, em que invadimos o contorno com atos, obras, costumes, maneiras, produções segundo estilo originário que está previsto em nossa sensibilidade”.

Seu pensamento impactou diversas áreas do saber. Em sua memória, o jornal espanhol El País concede o Prêmio Ortega y Gasset anualmente àqueles que se destacam no campo do jornalismo e da comunicação.

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