Ideias e Crenças – José Ortega y Gasset

Ideias e Crenças - José Ortega y GassetAs crenças constituem a base de nossa vida, o terreno sobre o qual ela acontece. Porque elas nos põem diante do que, para nós, é a realidade mesma. Toda conduta nossa, incluindo a intelectual, depende de qual seja o sistema de nossas crenças autênticas. Nelas “vivemos, nos movemos e somos”. E, por isso, não costumamos ter consciência expressa delas, não as pensamos; elas atuam latentes, como implicações daquilo que fazemos ou pensamos expressamente. Quando cremos de verdade numa coisa, não temos a “ideia” dessa coisa, simplesmente “contamos com ela”. Por outro lado, as ideias — ou seja, os pensamentos que temos sobre as coisas, sejam eles originais ou recebidos — não possuem em nossa vida valor de realidade. Atuam nela precisamente como pensamentos nossos e somente como tais. Isso significa que toda a nossa “vida intelectual” é secundária em relação à nossa vida real ou autêntica, e representa nela apenas uma dimensão virtual ou imaginária.

Lançado originalmente em 1940, este livro do filósofo espanhol José Ortega y Gasset analisa principalmente as definições, distinções, semelhanças e relações entre os conceitos de crença e ideia. Além disso, o autor ainda acrescenta neste volume uma reflexão sobre o ofício do tradutor, um discurso lido no centenário de Hegel a respeito da obra do filósofo alemão, outro discurso por ocasião do centenário da Universidade de Granada e outros artigos.

Sobre o autor

José Ortega y Gasset (Madrid, 9 de maio de 1883 – Madrid, 18 de outubro de 1955) foi um ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid. Ortega é amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século XX.

Ortega foi um dos primeiros autores a tratar do problema da historicidade fora dos padrões do evolucionismo, do marxismo ou do positivismo. Também foi um dos primeiros a valorizar a importância dos conceitos em matérias de história e a estender à filosofia as conclusões de Einstein, além de afirmar a necessidade de uma historicidade como modo de suplantar o esgotamento da metafísica e do idealismo. Ortega atribui à história uma nova categoria do conhecimento, aos moldes de Martin Heidegger, seu contemporâneo.

De acordo com Ortega, a realidade está em nossa vivência histórica. Autor da frase, ”eu sou eu e minha circunstância”, para ele viver não se trata de termos uma consciência intencional, aos moldes fenomenológico, mas sim a maneira como lidamos com a circunstância da qual não nos separamos: “A vida não é recepção do que se passa fora, antes pelo contrário, consiste em pura atuação, viver é interior, portanto, um processo de dentro para fora, em que invadimos o contorno com atos, obras, costumes, maneiras, produções segundo estilo originário que está previsto em nossa sensibilidade”.

Seu pensamento impactou diversas áreas do saber. Em sua memória, o jornal espanhol El País concede o Prêmio Ortega y Gasset anualmente àqueles que se destacam no campo do jornalismo e da comunicação.

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