Fé e Filosofia Política – A correspondência entre Leo Strauss e Eric Voegelin (1934–1964)

Fé e Filosofia Política - A correspondência entre Leo Strauss e Eric Voegelin (1934–1964)Mais de 50 cartas inéditas trocadas entre dois dos maiores filósofos do século XX: Leo Strauss e Eric Voegelin. Para o primeiro, a fé religiosa é aquilo de que um homem abre mão ao adotar o modo de vida de um filósofo; para o último, a revelação é o tipo de experiência próprio aos homens, e que a filosofia tem como tarefa elucidar. Mas, para ambos, a filosofia não pode ser reduzida, como faz a modernidade, a uma mera comparação de doutrinas. Este é o tema que permeia a correspondência e é explorado pelos ensaios que encerram o volume, incluindo o artigo mais importante de cada autor: “Jerusalém e Atenas”, de Strauss, e “Evangelho e cultura”, de Voegelin.

Sobre os autores

Um dos pensadores mais originais do século XX, Eric Voegelin, alemão radicado nos Estados Unidos, foi orientado em sua dissertação por Hans Kelsen na Universidade de Viena. Tornou-se professor na mesma instituição, sendo demitido pelos nazistas após a anexação da Áustria à Alemanha. Lecionou também em Harvard, Stanford e Munique, mas foi na Universidade do Estado da Louisiana que passou a maior parte de sua carreira. Sua obra passa pelos campos da ciência política, filosofia política, filosofia da história, história das ideias e filosofia da consciência. Foi um escritor prolífico. Grande crítico de Karl Marx e dos movimentos revolucionários, exerceu influência sobre Leo Strauss e Russell Kirk.

Leo Strauss, filósofo político germano-americano de origem judaica, um dos mais influentes do século XX, foi professor de Ciência Política na Universidade de Chicago. Aluno de Ernst Cassirer, Edmund Husserl e Martin Heidegger, dedicou-se a princípio à fenomenologia, mas seus grandes objetos de estudo viriam a ser a filosofia antiga, a interpretação desta feita por filósofos judeus e islâmicos medievais e a influência exercida por tal sobre a filosofia política moderna. Também lecionou brevemente na Universidade de Cambridge e na Universidade Hebraica de Jerusalém e foi pesquisador na Universidade de Columbia e na New School for Social Research. Chegou a se candidatar a um pós-doutorado sob orientação do teólogo Paul Tillich, mas trocou-o por uma bolsa fornecida pela Fundação Rockefeller para estudos em Paris. Foi amigo de Alexandre Kojève, Alexandre Koyré, Raymond Aron e Étienne Gilson, correspondeu-se com Eric Voegelin e Isaiah Berlin e conheceu por intermédio do movimento sionista alemão Hannah Arendt, Walter Benjamin, Norbert Elias, Leo Löwenthal, Franz Rosenzweig, Karl Löwith e Hans-Georg Gadamer. Entre seus alunos estiveram Allan Bloom e Richard Rorty. Os entusiastas de seu pensamento são comumente chamados straussians. É por vezes considerado um dos fundadores do neoconservadorismo.

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