Como Escrever um Romance – Miguel de Unamuno

Como Escrever um Romance - Miguel de UnamunoJá não se trata de um “processo interminável”, como em En Torno al Casticismo, porque a última caixinha está vazia, mas a preferência pela interioridade relativa foi determinante para a conclusão de que, em vez de escrever um romance – apenas um romance, com um único plano de realidade – sobre seu desterro, “a melhor maneira de escrever esse romance é contar como se deve escrevê-lo. É o romance do romance, a criação da criação. Ou o Deus de Deus. Deus de Deo”. É também o apogeu de toda uma tendência – iniciada, sem dúvida, por Cervantes – de voltar o romance sobre ele mesmo, tornando-se cada vez mais antirromance, desromanceando-se. A obra Como Escrever um Romance, de Unamuno, é o apogeu de um processo antirromanesco iniciado em Amor e Pedagogia, levado a um cume de maestria artística em Névoa e desdobrado aqui, para além do romance antirromance, para além da própria arte, justamente pelo empenho de transformar a vida – e a própria realidade – em romance, história escrita para sempre.

Sobre o autor

Formado em Filosofia e Letras, Miguel de Unamuno lecionou Grego na Universidade de Salamanca, da qual posteriormente tornou-se reitor. Na juventude revolucionário e de inclinações anarquistas, converteu-se quando adulto ao cristianismo, tornando-se o principal expoente do existencialismo cristão na Espanha. Foi condenado pelo Santo Ofício por uma de suas obras. Também escrevia poemas e peças de teatro e foi deputado por Salamanca entre 1931 e 1933.

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