Box – História da literatura ocidental – 3 vols. – Otto Maria Carpeaux

Box - História da literatura ocidental - 3 vols. - Otto Maria CarpeauxConsiderada a melhor obra do gênero, a História da literatura ocidental de Otto Maria Carpeaux apresenta uma narrativa do desenvolvimento da literatura desde as suas origens greco-latinas até à modernidade. Escorado nos grandes críticos e historiadores, Carpeaux apresenta ao leitor não só os maiores escritores da literatura ocidental, como também as suas respectivas épocas, delineando o drama íntimo e histórico das idéias que corriam como que por baixo de suas manifestações literárias. É um livro essencial para todos os estudiosos e amantes de literatura, e para todo aquele que deseja compreender e apreciar ainda mais a cultura e a literatura do Ocidente.

No primeiro volume, Carpeaux parte da literatura greco-romana e do mundo cristão para discutir o “humanismo europeu”, que constitui a transição para um novo e de certa forma mais verdadeiro começo: a fundação da Europa. Depois, percorre as expressões literárias da Idade Média e analisa o Renascimento e a Reforma: de Dante, Petrarca e Boccaccio a Erasmo e os humanistas cristãos, entre outros. Por fim, faz a exegese do Barroco e do Classicismo no mundo ocidental: a poesia e o teatro da contra-reforma, as pastorais, as epopéias, a epopéia herói-cômica e o romance picaresco, comentando assim autores como Cervantes, Góngora, Shakespeare e Molière.

No segundo volume, ao analisar o desmoronamento da estrutura dogmática do estilo de pensar comum à Idade Média, à Renascença e ao Barroco, Carpeaux delineia as etapas revolucionárias que vão do Iluminismo e do Romantismo até à “época da classe média”. Analisa primeiro o rococó, de Bocage a Pietro Metastasio, mostrando a influência das filosofias de Hobbes, Locke e Vico; depois a Arcádia e a poesia anacreôntica; o classicismo racionalista do século de Voltaire; o pré-romantismo de Diderot a Rousseau; e o último resquício de classicismo presente em autores como Alfieri, Ugo Foscolo, Goethe e Schiller. Uma vez delineadas as origens do Romantismo, mostra as diferentes facetas desse movimento: o Romantismo de evasão, de Scott e do romance histórico, o Romantismo de oposição, de Byron a Victor Hugo e Dickens, e o fim do período, do movimento de Oxford à ascensão do marxismo. Por último, mostra a literatura da “época da classe média”: de Balzac aos parnasianos, do realismo ao naturalismo, até à conversão do naturalismo e o romance psicológico.

No terceiro volume, é apresentada a atmosfera intelectual, social e literária do fin du siècle, que propiciou o surgimento do Simbolismo em meio à “época do equilíbrio europeu”, como denominada pelo autor. Sua análise vai de Mallarmé a Nietzsche, seguindo para o Esteticismo de Wilde, a poesia de Rimbaud e o Modernismo espanhol, para em seguida abranger, ainda que na forma de um “esboço”, as vanguardas européias e as revoltas modernistas do período da Primeira Guerra Mundial: partindo de Joyce, passa por Proust e prossegue até chegar às obras de Kafka. Por fim, são analisadas as tendências contemporâneas à Segunda Guerra Mundial, presentes tanto na literatura estrangeira — nas obras de Saint-Exupéry, Gabriel García Márquez e Camus —  quanto na nacional — na poesia de Carlos Drummond de Andrade e nos romances de Guimarães Rosa.

Sobre o autor

OTTO MARIA CARPEAUX (1900–1978), foi um jornalista, ensaísta e crítico literário austríaco naturalizado brasileiro. Nascido Otto Karpfen, filho de pai judeu e mãe católica, estudou Direito e Filosofia em Viena, Ciências matemáticas em Leipzig, Sociologia em Paris, Literatura comparada em Nápoles e Política em Berlim, além de doutorar-se em Letras e Filosofia na Universidade de Viena. Diante da ascensão de Hitler, combateu a ideologia nazista e a anexação da Áustria pela Alemanha, especialmente em seus livros e em seus artigos para a revista Der Christliche Ständestaat. Em 1938, após a invasão alemã, foi obrigado a refugiar-se, primeiro na Bélgica e, no ano seguinte, no Brasil. Conhecedor de mais de dez línguas, não demorou para dominar a língua portuguesa e firmar-se na imprensa local. O reconhecimento veio logo com os primeiros livros: A cinza do Purgatório (1942), Origens e fins (1943), Perguntas e respostas (1953), Retratos e leituras (1953) e Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira (1955). Aclamado por nomes como Aurélio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, Álvaro Lins e Carlos Drummond de Andrade, começou a publicação de sua obra-prima História da literatura ocidental (1958-66), seguida por Uma nova história da música (1958), Presenças (1958), Livros na mesa (1960) e A literatura alemã (1964). Em 1968, deu por encerrada sua carreira literária, para se dedicar unicamente à luta política. Publicou também: O Brasil no espelho do mundo (1965), A batalha da América Latina (1966), As revoltas modernistas na literatura (1968), 25 anos de literatura (1968), Hemingway (1971) e Alceu Amoroso Lima (1978), além de prefácios, introduções, verbetes de enciclopédia. É considerado um dos maiores críticos literários brasileiros, tendo influenciado toda a sua geração de intelectuais e escritores.

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