A Sindérese e a Consciência – Questões Disputadas Sobre a Verdade – Tomás de Aquino

A Sindérese e a Consciência - Questões Disputadas Sobre a Verdade - Tomás de AquinoTomás de Aquino foi um dos grandes libertadores do intelecto humano, já nos disse G. K. Chesterton. E basta olharmos a inumerável quantidade de assuntos tratados pelo Doutor Angélico, desde temas filosóficos até às mais complexas contemplações teológicas, e teremos diante de nós um colossal monumento em honra da inteligência humana.

Apresentamos a tradução inédita do latim para o português, das questões 16 e 17 das Quaestiones disputatae De Veritate, A sindérese e a conciência, compostas, no total, por oito artigos, onde se investigam duas noções próprias do agir moral.

Tomás defende a necessidade de um princípio para o agir prático, de modo equivalente à virtude do intelecto para os primeiros princípios do conhecimento. Mas tal princípio não é tomado como um potência, nem como uma virtude, mas um preâbulo para o ato da virtude, de modo que resista a todo mal e consinta com todo bem. Por isso, ele não pode errar, porque é a base universal dos juízos acerca dos atos sobre o bem e o mal. A sindérese, portanto, é um hábito, mas não adquirido por repetição de atos, e sim um hábito especial inato, que garante as condições das nossas ações práticas.

A consciência, porém, na definição estrita de Tomás, é um ato como certa continuidade da sindérese – por isso que esta também é chamda de “centelha da consciência”.

Sobre o autor

Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi seqüestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento. No ano seguinte, fiel à sua vocação religiosa, viajou a Paris, onde se tornou discípulo de Alberto Magno, acompanhando-o a Colônia. Em 1252, voltou a Paris, onde se formou em teologia e lecionou durante três anos. Depois de voltar à Itália, foi nomeado professor na cúria pontifical de Roma. Ensina, durante anos, em várias cidades italianas. Uma década depois, retorna a Paris, onde leciona até 1273. A seguir, parte para Nápoles, onde reestrutura o ensino superior. Em 1274, convocado pelo papa Gregório 10º, viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece, contudo, durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro cisterciense de Fossanova, aos 49 anos de idade. Chamado de Doutor Angélico e de Príncipe da Escolástica, Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja Católica em 1567.

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