A caça e os touros – José Ortega y Gasset

A caça e os touros - José Ortega y GassetUma das qualidades mais distintas de um verdadeiro filósofo é sua capacidade de refletir a partir dos fenômenos concretos que o cercam. Longe de trancar-se em uma torre de marfim, Ortega y Gasset é um espanhol de seu tempo capaz de filosofar a partir dos esportes populares do espanhol de seu tempo: a caça e as touradas. Publicada postumamente em 1960, e agora pela primeira vez no Brasil, a seleção de textos pode parecer arbitrária: o prefácio para um livro de caça, um epílogo sobre touradas e seu rascunho, um discurso, uma carta e um artigo de jornal. Mas a arbitrariedade é aparente. O fio condutor da obra é o olhar atento e a perspicácia intelectual do filósofo para tirar, das situações mais diversas, noções antropológicas e lições existenciais que falam a todos os homens de todos os tempos.

Sobre o autor

José Ortega y Gasset (Madrid, 9 de maio de 1883 – Madrid, 18 de outubro de 1955) foi um ensaísta, jornalista e ativista político, fundador da Escola de Madrid. Ortega é amplamente considerado o maior filósofo espanhol do Século XX.

Ortega foi um dos primeiros autores a tratar do problema da historicidade fora dos padrões do evolucionismo, do marxismo ou do positivismo. Também foi um dos primeiros a valorizar a importância dos conceitos em matérias de história e a estender à filosofia as conclusões de Einstein, além de afirmar a necessidade de uma historicidade como modo de suplantar o esgotamento da metafísica e do idealismo. Ortega atribui à história uma nova categoria do conhecimento, aos moldes de Martin Heidegger, seu contemporâneo.

De acordo com Ortega, a realidade está em nossa vivência histórica. Autor da frase, ”eu sou eu e minha circunstância”, para ele viver não se trata de termos uma consciência intencional, aos moldes fenomenológico, mas sim a maneira como lidamos com a circunstância da qual não nos separamos: “A vida não é recepção do que se passa fora, antes pelo contrário, consiste em pura atuação, viver é interior, portanto, um processo de dentro para fora, em que invadimos o contorno com atos, obras, costumes, maneiras, produções segundo estilo originário que está previsto em nossa sensibilidade”.

Seu pensamento impactou diversas áreas do saber. Em sua memória, o jornal espanhol El País concede o Prêmio Ortega y Gasset anualmente àqueles que se destacam no campo do jornalismo e da comunicação.

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